Pretos-velhos (6)
Há tantos fios perdidos neste mundo véi de Deus. Independentemente do motivo que os leva a tal estado, a origem dele sempre será um sentimento. Um sentimento exacerbado, ausente... tudo aquilo que tira o sossego é baseado em algum sentimento. E como ocês gostam de sentimentos. Mas dos bons. Os ditos “ruins” poucos buscam lidar e, ainda entre eles, lidam mais porque querem se esconder do que realmente para resolver a questão.
Sabe fios, nada acontece sem um motivo prévio. Nada é aleatório no universo. As leis divinas são tão exatas que, como ocês, nem tudo conseguem compreender, ficam buscando várias justificativas para elas. Deus é o milagre. É sua bondade, reflexo de todo o amor, que coordena o universo. Todas as graças e curas são feitas sob sua regência. Nada escapa e ele não muda de humor ou vontade conforme cada um.
É tão difícil colocar Deus em palavras que prefiro que ocês busquem as definições nos livros de Kardec e nas escrituras das outras religiões e, a partir daí, criem a sua crença Nele. Não acho justo interferir ou influenciar na forma como ocê entende Deus. Mas, que ele é bondoso, não posso deixar de afirmar, fio. Tão bondoso que botou a centelha Dele em cada um de ocês. Todo espírito tem sua semelhança com seu criador. Tem uns até que não acreditam Nele, mas rezam quando a vida pede.
Nada é mais amoroso do que Deus. Ele nunca nega socorro àqueles que necessitam, dá sempre uma nova oportunidade para recomeçar e fazer de novo. Ele permite até que os fios passem eternidades perdidos e desviados e que, quando retornam, recebam as mesmas bênçãos daqueles que há muito já estavam no caminho da reforma íntima. É só ver no Evangelho o capítulo sobre os trabalhadores da última hora e na parábola do Cristo sobre o resgate da ovelha perdida.
Nem todo mundo entende Deus da mesma forma. O tempo e a influência humana na forma de encontrar o divino distorceu muito a imagem Dele. Como pode Deus ter os defeitos de nós, seres em evolução? Aqueles que buscam seguir tudo que lhes é dito à risca, sem esclarecer ou questionar, esquece o principal caminho para encontrá-lo: sentir. Deus está em todo local e a todo momento e aquele que se dispuser a encontrá-lo não precisará de esforço para achar. Se querem um exemplo, toda a matéria é constituída dos mesmos elementos básicos, mas cada um tem sua forma e características e a ciência não consegue explicar o porquê dessa junção de elementos iguais formar muitas coisas diferentes.
Não vim falar sobre Deus, mas, ao ver os diversos fios que sofrem, não pude deixar de falar um pouquinho de quem tudo oferta e que exige apenas uma coisa: amem. Ele não cobra quando, onde, por que ou como. O Amor é único e é a única coisa que Deus deseja que se faça. Porém, nesta balança fluídica que é o universo, ele permite e tolera os diversos erros possíveis desde que eles retornem ao equilíbrio inicial.
Então fio, perceba que tudo que acontece na sua vida vem para te dizer uma coisa: ame. Doe o que tiver de melhor ao seu trabalho, à sua família, aos seus amigos, aos seus projetos... Ame-os e coloque esse sentimento autoexplicativo para impulsionar as engrenagens de sua vida. Todos têm problemas e cada um é quem decide até que ponto eles irão tirar o seu equilíbrio. E, quando eles tiram, é porque ocês não souberam lidar com o sentimento ligado àquela situação.
Confunde-se muito o amor com a posse ou até com a paixão. Classificam como amor de irmão, amor de mãe, amor de marido e mulher... isso são apenas definições de como vocês se apegam às pessoas (e às coisas também), qualificando como bom algo que já traz um peso que não existe. Não se qualifica o amor. Ele se autodefine. O restante se resume a limites e tratamentos que ocês têm por convivência social. Mas um “eu te amo" deve ter o mesmo peso para todos que o recebem, independentemente de por quem seja dito.
Por fim, fios, digo que não há motivos para desanimar. Deus dá a ocês, todos os dias, a ferramenta para persistirem nas dificuldades da vida. Ocê pode até não acreditar Nele como essa “entidade” divina criada ao longo dos séculos. Mas, se acredita no amor, também acredita Nele. Não duvidem de sua capacidade. Tomem decisões em momentos de tranquilidade. Cortem aquilo que não os faz crescer. Não percam uma oportunidade de fazer o bem. E acreditem que sempre o amor os auxiliará em tudo na vida. Mas também não esqueçam: para isso, só precisa que uma pessoa os ame: OCÊ.
Espírito Vô Benedito,
Médium Thiago Lobo.
A revisão textual foi realizada de forma a preservar as marcas de linguagem específicas do preto-velho que transmitiu a mensagem.
“Que fumaça cheirosa, vovô, que sai do seu cachimbo, não sei se é arruda, vovô, ou manjericão, só sei que essa fumaça, vovô, faz bem ao meu coração”. Faz um bem danado mesmo conversar com um preto-velho, mais conhecido como vô e vó nas giras de umbanda, principalmente pela diferença que sentimos na harmonização dos sentimentos e pensamentos depois de uma boa conversa com esses espíritos tão elevados e cheios de luz.
Na umbanda, são esses maravilhosos guias espirituais que nos auxiliam, amparam e que sempre têm uma palavra de consolo e aconchego.
O dia dos pretos-velhos é comemorado em 13 de maio, justamente o dia da abolição da escravatura no Brasil, que, por meio da Lei Áurea, tinha intenção de extinguir o trabalho escravo e oficialmente declarar livres todas as pessoas que eram mantidas sob os domínios de seus “donos”.
Debaixo do chicote feito de pelo de rabo de cavalo, apanhando no tronco, debaixo de sol e com trabalho quase que ininterrupto nas fazendas de cana-de-açúcar e café, passando por terríveis privações e provações, não recebiam quase nada em troca. Para você ter uma ideia do quanto era sofrido, a expectativa de vida de um negro não chegava a 10 anos à época. Já que não tinham nada, restava se agarrarem à fé e ao poder da oração, uma forma silenciosa de mantê-los vivos e protestar contra a opressão à qual eram submetidos.
Alguns desses espíritos depuraram seus sentimentos, perdoando àqueles que lhes fizeram o mal e resgataram seus carmas. Hoje estão sempre prontos a nos ajudar e estender a mão para aqueles que precisam e querem ser ajudados.
Mesmo com todo sofrimento, trabalho e martírios aos quais eram submetidos, foram espíritos que tiveram que aprender a não se abater, nunca perderam a fé e sempre acreditaram que, depois da tempestade, vem a bonança; que a justiça divina não tarda, nem falha, age sempre na hora certa. E foi através da vivência, da experiência e da fé que eles se tornaram nossos psicólogos do astral, conselheiros espirituais e médicos da alma, que desenvolvem em nós uma sensibilidade sublime e majestosa.
Quando sentamos diante de algum preto-velho, estamos na frente de espíritos de elevada vibração espiritual e que estão ali para nos ensinar os mais puros e verdadeiros sentimentos, a lidar com as mudanças da vida e com as dificuldades que surgem. São mestres em indicar direções e acalentar nossos corações.
São essas entidades que se manifestam em forma de vovôs e vovós, que foram escravizados nas senzalas, onde, mesmo com todas as penúrias da vida, desenvolveram uma forma única de consolar através das palavras, do amor, da humildade e da resiliência. Apresentam-se como pretos-velhos para representar a humildade, a simplicidade e nos ensinar lições de vida, como a prática do perdão, do amor ao próximo e da paciência, sempre extremamente pacientes e bondosos.
Geralmente trabalham sentados, pitando um cachimbo ou um cigarro de palha, num trabalho constante de amor e de paciência, mandingueiros poderosos, demandam contra qualquer tipo de sentimento negativo, pacientemente escutam a todos, independentemente de idade, sexo ou religião e, com a vivência que possuem, sempre hão de ter alguma palavra de consolo.
É importante lembrar que nem todo espírito que se mostra como preto-velho foi um escravo. Podem ter sido ricos, pobres, filósofos, médicos (que é o caso do nosso dirigente espiritual Pai Leopold, em sua última encarnação), professores, etc. Revestem-se de um envoltório espiritual para simbolizar, dentre muitos, dois atributos que já relacionamos a eles: a humildade e a sabedoria. Em nosso cotidiano, consideramos as pessoas mais velhas como sábias, que já viveram experiências e histórias e consequentemente nos aconselham e orientam em qualquer situação. No mundo espiritual, não é tão diferente. São espíritos que, diante de várias encarnações, aprenderam muito e tentam nos passar seus ensinamentos.
No ACVE, comemoraremos o dia dos pretos-velhos neste ano, no trabalho do dia 12 de maio, com uma deliciosa feijoada, para médiuns e consulentes. A feijoada está diretamente ligada à história dos pretos-velhos, pois tem como ingredientes básicos feijão e partes do porco e esses eram um dos alimentos mais acessíveis aos negros na época. O feijão, por ser de fácil plantio e colheita; e as sobras de algumas partes do porco (pé, orelha, rabo, língua, costela, etc), porque eram dispensadas pelos brancos, consideradas, talvez, desnecessárias para o sustento deles. Os negros conservavam essas partes no sal, cozinhavam junto com o feijão e assim nasceu a famosa feijoada, prato tipicamente brasileiro, negro e histórico.
Portanto, ao sentar para conversar com um preto-velho, saiba falar, ouvir e, principalmente, ter a humildade de saber que o princípio de qualquer melhora está dentro de você. Eles ajudam sim, e muito, mas é necessário que você se ajude e queira melhorar, aprendendo que o melhor caminho para a felicidade é o caminho do amor, do perdão, da caridade e da humildade e o primeiro passo é você quem dá.
Fontes:
http://trabalho-escravo.info/a-historia-da-escravidao-no-brasil.html - Acessado em 22/04/2018
http://irmandadeumbandistaluzdearuanda.blogspot.com/2014/06/feijoada-de-preto-velho.html - Acessado em 25/04/2018
https://www.infoescola.com/historia/escravidao-no-brasil/ - Acessado em 22/04/2018.
https://hugolapa.wordpress.com/2012/01/24/pretos-velhos/ - Acessado e 27/04/2018.
“A essência do homem é pensar” (por isso dizia) “Sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma, que ignora muitas, que ama, que odeia, que quer e não quer, que imagina e que sente”. (Logo quem pensa é consciente de sua existência) “penso, logo existo. ” (Descartes)
“Em lugar da fé cega que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inquebrantável senão aquela que pode olhar a razão face a face em todas as épocas da humanidade. À fé é necessária uma base, a essa base é a inteligência perfeita daquilo que se deve crer (não basta ver), é necessário compreender. A fé cega não é mais deste século, ora, é praticamente o dogma da fé cega que hoje o maior número de incrédulos, porque ela quer se impor e exige a adição de uma das mais preciosas faculdades do homem, o raciocínio e o livre arbítrio” (Evangelho Segundo o Espiritísmo.)
Alan Kardec, em a Genese, Cap XIV, item 15, esclarece este mecanismo a influência do desencarnado para encarnado: Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar, eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som. Pode-se pois dizer, sem receio de errar, que há nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros.
Há mais, criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório como um espelho: toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa. Tendo um homem, por exemplo a ideia de matar outro, embora corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todas as matizes deste último, executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar...
Vimos que o pensamento exerce uma poderosa influência nos fluidos espirituais, modificando suas características básicas. Os pensamentos bons impõem-lhes luminosidade e vibrações elevadas que causam conforto e sensação de bem-estar as pessoas sob sua influência. Os pensamentos maus provocam alterações vibratórias contrárias às citadas acima. Os fluídos ficam escuros e sua ação provoca mal-estar físico e psíquico.
Quanto mais forte for o pensamento, mais rapidamente ele frutifica. O pensamento é localizado e isso lhe dá determinada direção e, na proporção em que for focalizado será dirigido o efeito que pretende alcançar
Aqueles que alimentam pensamentos de ódio, inveja, vingança e maldade são realmente muito perigosas. Causam inquietação e má vontade entre os homens. Seus pensamentos são, como as mensagens radiofônicas através do éter e captadas por indivíduos cuja mente é receptiva a tais vibrações
Na pergunta 457, do livro dos Espíritos da página 207, ele nos relata a seguinte pergunta: Os espíritos podem conhecer nossos mais secretos pensamentos?
Frequentemente, eles conhecem aquilo que querereis ocultar a vos mesmos, nem atos, nem pensamentos podem ser dissimulados
- Nesse caso, pareceria mais fácil esconder uma coisa a uma pessoa viva que fazê-lo a essa mesma pessoa depois da sua morte?
- Certamente, e quando vos credes bem ocultos, tendes, frequentemente, uma multidão de Espíritos, ao vosso lado, que vos vêm.
Os nossos sentimentos podem ser perturbados ou influenciados em dois impulsos gerais que são: egoísmo e orgulho trabalhando sobre essas deficiências gerais de nosso comportamento, poderá aumentar o nosso negativismo dentro do seguinte esquema 01) Egoísmo: impiedade, ciúmes, antipatia, indiferença, sensualidade e avareza, etc. 2) orgulho paixões, ódio, rancor, vingança. Cobiça, raiva, maledicência, rancor etc.
Pode também afetar no campo de ideação como: inteligência, sensação, percepção, memoria, atenção, imaginação, raciocínio, vontade etc.
Pode atingir também nos nossos órgãos como: sexo, fígado, estomago, rins, pulmões, intestinos, sistema nervoso. Por isso devemos nos vigiar os nossos pensamentos, a fim de não sermos atingirmos com pensamento ruins de pessoas que estão desiquilibrados conforme descreve Roque Jacinto. Como os espíritos nos veem descobertos eles vão atuar em nossos sentimentos, no campo de ideação e nos nossos órgãos como vemos pessoas em nossa gira passando mal.
O nosso pensamento dentro do terreiro tem um poder magístico que muito de nós desconhecemos, por isso que Jesus manda que nos vigiássemos nossas mentes, a fim de não entrarmos nas regiões inferiores e desequilíbrio em nossa gira, trazendo consequência ruim para a corrente e para os Pais de Santos e Mãe de Santo
Finalizando peço aos Umbandistas que amemos uns aos outros como disse Jesus, não permitindo que as influências de espíritos malévolos tragam consequências para o nosso terreiro.
Salva a Umbanda.
Vovô Arlindo,
Médium Ismar Costa.
- Benção, Vô?
- Deus te abençoe, fio! O que ocê veio buscar?
- Vô, meu filhinho está doente. Tem dormido mal, não come direito e anda muito inquieto.
- Meu filho, sua criança está com quebranto. O tratamento é simples: vamos benzer ele que tudo vai se resolver.
E com um galhinho de arruda na mão, o preto-velho faz sua reza e o sinal da cruz sobre o corpo do bebê, ativando os chacras. Acompanhado por palavras paternas regadas de fé, vai limpando do corpo perispiritual do consulente as energias deletérias que estavam gerando as mazelas.
Podemos entender o “quebranto” ou o “mau olhado” como uma contaminação fluídica oriunda de terceiros ou de um ambiente que não tenha uma energia sã. Essa contaminação gera um torpor que oscila com a irritação, sensação de mal estar, dificuldade para dormir, entre outros sintomas. O vento virado, também chamado de ventre virado, ocorre quando a criança toma um susto e apresenta episódios de diarreia nos quais as fezes saem esverdeadas. O benzimento também pode ser indicado para os casos de mal estar físico, psíquico ou emocional, doenças as quais a medicina terrena não acha a causa, para fechar o corpo, etc.
O ato de benzer consiste em tornar “são” ou “bento” aquele ou aquilo que recebe a reza. O benzimento é um ato espiritual realizado por um indivíduo, não necessariamente incorporado, que possui a fé, a intuição, a sensibilidade e a força para pronunciar as palavras certas (os verbos), que irão manipular as cargas astrais densas, e para proferir uma prece que redirecione as energias indesejáveis. Digo que é um ato espiritual, pois os sintomas negativos que o indivíduo apresenta são de origem etérea (energética), de tal forma que o tratamento deve agir sobre a causa e com os recursos afins.
O que garante o sucesso desse ritual é a intenção energética desprendida com força e vontade para se realizar o ato. O benzedor ou a benzedeira deve possuir o magnetismo que vai retirar os fluidos negativos presentes no enfermo. Alguns rezadores não usam nenhum objeto para ajudar no benzimento, outros se utilizam de elementos magnetizáveis/magnetizados para auxiliar na retirada da carga astral densa, tais como: ervas (arruda, alecrim), terços, correntes e medalhas de aço, entre outros, que funcionam como condensadores energéticos que atraem para si as energias manipuladas.
Não são apenas as crianças que podem e devem ser benzidas. Mas quando são elas o alvo, o responsável (pai ou mãe) também deve se ligar energeticamente, doando sua energia para o tratamento, garantindo que uma aura protetora seja depositada ao final do atendimento. Por isso, não raro a entidade pede que se repitam as palavras da reza para que juntos potencializem a magnetização.
Esse ritual, aparentemente simples, era muito praticado nos tempos antigos e nos locais onde não existiam recursos financeiros para se recorrer aos cuidados médicos e hospitalares. Hoje, os locais onde mais encontramos essa prática são nos terreiros de umbanda, onde os pretos velhos se manifestam e nos presenteiam com suas magias. Mas não é algo exclusivo de uma religião ou outra e não possui hora ou local definidos para ser realizado. Assim como os pretos-velhos, outras entidades também podem benzer, cada uma à sua maneira.
“De que preto-velho benze? De quebranto, ventre virado e mau olhado.”
“Vovó, me ensina a ser melhor. Vovó, tira do meu peito o nó. Desses percalços da vida, nesta tarefa assumida... Seja sempre o meu farol.”
Em navios negreiros, eles chegaram ao Brasil... Essa história de sofrimento e dor nós revivemos mentalmente, como se fôssemos um deles, todas as vezes que lemos sobre a caminhada evolutiva dos negros africanos neste país. E isso nos remete à afirmação do Espírito Verdade que disse, por meio de Kardec: “a Terra é um mundo de provas e expiações”.
Como verdadeiros guerreiros, eles suportaram e venceram os castigos físicos e morais aos quais foram subjugados, avançando na seara do Cristo. Atualmente, esses espíritos que tiveram suas almas marcadas se sublimaram e vêm à Terra na roupagem dos nossos queridos e humildes Pretos-velhos, trabalhadores de umbanda e grandes magos do bem.
Nas adversidades que tiveram quando encarnados, desenvolveram a sabedoria necessária para hoje serem guias espirituais. Tiveram o “couro” da alma engrossado pelas chicotadas morais que a vida lhes impôs. E em suas consultas, nos mostram como devemos nos erguer com humildade e persistência a cada açoitada que recebemos.
No plano espiritual, depuraram seus corpos astrais e nos passam o sermão de como vencer nosso orgulho e preconceito. Nos tornamos nossos próprios capatazes e daqueles que nos são mais próximos, nos aprisionando em celas mentais cuja chave, essas entidades nos mostram, está em nós mesmos.
Em seus longos dias de trabalho árduo terreno, desenvolveram a paciência para lidar com um dia a dia muito exigente. E agora nos ensinam a resignação para aceitarmos a nossa labuta.
E quando a luta parecia perdida, eles rezavam e pediam aos grandes Orixás as bênçãos necessárias para suportar as mazelas. Assim, se tornaram nossos professores em matéria de desenvolvimento e manutenção da fé.
Se, com o trabalho pesado, se tornaram fortes fisicamente, mais fortes ainda se tornaram mentalmente, fortificando o pensamento positivo para as batalhas que devemos enfrentar. E, com todo o amor que desenvolveram pela vida, nos mostram que se nos libertamos das cordas do medo, do orgulho e da vaidade, desenvolvemos o amor próprio sadio e naturalmente esse sentimento se expande, alcançando os que estão à nossa volta.
As vicissitudes tornaram nossos amigos Pretos-velhos exímios conselheiros e com um colo tão aconchegante que muitas vezes nos esquecemos que eles já tiveram os momentos no tronco. Mas nem por isso os ouvimos lamentando as vidas passadas e os obstáculos que enfrentaram, pois conseguem enxergar e nos transmitir que as dores são apenas resgates que nos enobrecem. Como são provas passageiras, as palavras de otimismo e coragem são o combustível que usam para nos desamarrarem dos pensamentos nocivos.
Como não simpatizar com um Preto-velho? Como não se sentir acolhido e protegido nos afagos dessas entidades? Como não saborear o gosto do café que o Pai-velho nos oferece para nos adoçar o coração e a vida? Como não se aquecer e, também, despir a alma após uma baforada do seu cachimbo acalentador?
E como verdadeiros magos manipulam a matéria (ervas, café, água, vela/fogo, cachimbo, cajado) para desfazer as densidades energéticas que nos rondam ou se encontram empregadas em nós e também para criar uma aura que favoreça nossas atitudes e emoções mais equilibradas e positivas.
E é por nos afinizarmos tanto com essas entidades que nos doam o seu melhor, que hoje as saudamos e, em vez de pedir, agradecemos pela benevolência de nos guiarem em seus navios astrais. As almas adorei!
Talvez, durante o calor do atendimento recebido por um preto-velho, seja difícil apurar a sensibilidade e conseguir diferenciar, diante dos nossos olhos carnais, médium incorporado da entidade que presta o atendimento. Inclusive, nos momentos de dificuldade, é comum recorrermos mentalmente à imagem do próprio médium quando queremos pedir socorro ao preto-velho amigo. Grande engano! O médium é apenas o instrumento para a manifestação do espírito que, de boa vontade, desce à terra para dar o atendimento e deixar sua mensagem de conforto e paz. Aliás, uma das funções das imagens de entidades e santos utilizadas na Umbanda é exatamente essa: auxiliar na conexão mental com a entidade ou santo representado pela respectiva imagem.
Os pretos-velhos são verdadeiros magos do astral, e representam a sabedoria e a compreensão. São médicos da alma, curandeiros do coração, libertadores de consciências, professores do perdão. A história deles se resume, sem se esgotar, no aprendizado pelo sacrifício sob a tutela da resignação. A aparência de preto e velho remete à liberdade das dificuldades e dos vícios por meio da renúncia aos desejos egoístas e orgulhosos. Em outras palavras, transmitem a mensagem de superação e transformação moral. São espíritos vividos cujas experiências são fruto das batalhas de vidas passadas, e que aceitaram a oportunidade de trabalho para continuar sua luta pela própria evolução, colaborando também com a caminhada dos outros por intermédio de seu conhecimento e experiência, diferentemente do médium, que ainda tem um longo caminho a percorrer durante sua jornada evolutiva.
Com sua bondade, o preto-velho escolhe na terra um médium que possa lhe servir de instrumento para sua manifestação e que será agraciado com sua proteção e conselhos. Ai do médium indisciplinado que não se esforça em se corrigir ou apenas pensa no trabalho mediúnico como forma de atender aos próprios interesses! A bondade do preto-velho é tamanha que ele permite que seu cavalo tome uma queda apenas para que perceba os erros que comete e aprenda a se levantar. E se, mesmo assim, o médium não se acertar, o preto-velho parte a procura de outro instrumento de trabalho. Isso não quer dizer que o médium estará desamparado. Preto-velho continua vigiando e acompanhado, mesmo os filhos rebeldes. Porém, trabalho mediúnico é coisa séria e deve ser desenvolvido com qualidade por médium dedicado. E médium dedicado não é médium santo e, sim, comprometido e esforçado em lutar contra seus deslizes pessoais. Não se exigem santos para o trabalho do bem, mas sim pessoas verdadeiramente interessadas em modificar seus erros e defeitos.
Já durante os atendimentos, há uma troca mútua entre o espírito e o consulente, mas há também uma troca especial entre o médium e o espírito incorporante: o preto-velho desce à terra para dar o seu atendimento e deixa um pouco da sua luz no médium. Dessa maneira, além das habituais limpezas, durante os atendimentos ocorrem verdadeiras libertações, não só do consulente, mas também do médium que serve de instrumento para o preto velho. Assim sendo, cada entidade aproveita da melhor forma a oportunidade que lhe é colocada à disposição para trabalhar.
Pai Expedito do Congo,